:: A VIDA NA TELA ::

22/08/2010

Novo Endereço

A Vida Na Tela tem novo endereço:

www.avidanatela.blogspot.com

Este aqui permanece com os textos antigos!


Escrito por Lilian Maerrawi às 19h19
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22/06/2010

Calculadora

 

Abri meu armário e um monte de casacos caiu sobre mim.

Parei, pensei, olhei para aquele monte e me perguntei:

Quantos casacos eu tenho?

Resolvi contar e deram 10 casacos de inverno, mais os de meia estação.

Depois, abri o outro armário e as botas caíram sobre meus pés.

Resolvi contar quantas botas eu tenho.

A conta deu 7 botas, incluindo as de cano baixo.

Depois, abri minha gaveta e estava abarrotada de Cds antigos.

Parei, olhei e me perguntei: Quantos Cds eu tenho?

Na soma total, 42 Cds.

Pouco tempo depois abri uma outra gaveta

Onde guardo documentos antigos.

Olhando aquele calhamaço de coisas e papeis

Me perguntei: Quantos documentos antigos eu guardo?

Depois de muito passar as folhas conclui que tenho

Cento e vinte e cinco documentos antigos guardados.

Andando um pouco mais pela casa achei minha

Coleção de chaveiros.

De todos os tipos, tamanhos, cidades do mundo.

Quantos chaveiros eu tenho? - me questionei.

São 356 chaveiros guardados.

Será que tenho tantas chaves assim?

Enfim, arrumando mais umas coisinhas aqui e outras ali

Encontrei meu álbum de papel de carta da minha infância.

Esse é para relembrar! Quantos será que eu tinha?

Definitivamente, eu amava isso porque eu tinha 298 papeis de carta.

Acho que era possível ter mais.

Ao lado desta pasta estava a pilha de Gibis que eu colecionei.

Uma pilha com 1.064 Gibis da Turma da Mônica.

É risada para mais de um ano todo!

Fiquei com sede e fui tomar um suco e abri o armário da cozinha

Que tinha muitos copos e não soube qual escolher.

Resolvi contar quantos eu tinha, e a conta deu 83 copos.

Dava para eu ter sede de todos os tamanhos e cores ao mesmo tempo.

Fui fazer uma pipoca de microondas e achei vários pacotes.

Quantos sabores será que tenho aqui? - foi a pergunta.

Eram seis sabores: Queijo, manteiga, bacon, manteiga light, natural e doce.

Optei pelo bacon porque estava num 'dia de gordinha'.

Depois da pipoca, fui lavar minhas mãos e não tinha sabonete na pia.

Abri o armário e fui pegar um novo, quando a pilha de sabonetes desabou.

Meu Deus, quantos sabonetes eu guardo nesse armário?”, me perguntei.

Eram 21 sabonetes, todos de marcas diferentes, com cheiros diversos.

Alimentada, sem sede, com as mãos limpas, com as roupas, sapatos,

Documentos, Cds, gibis, chaveiros, sabonetes, copos, pipocas

E tudo mais organizado, abri minha caixa de correio

E peguei as cartas.

Ali no meio, uma carta sua. Depois de anos a fio sem notícias.

Uma série de palavras que me atualizavam de tudo.

Sem meias palavras.

Parei, li, olhei, li novamente, li mais uma vez

E me perguntei:

Quantas lágrimas já derramei por você?

E simplesmente estou aqui,

Semanas depois,

Ainda contando.


Escrito por Lilian Maerrawi às 23h10
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12/06/2010

Loading|||||||

 

Hoje eu chamei um técnico de computadores aqui em casa

Meu notebook havia travado, um erro fatal do Windows

Que impedia que qualquer coisa fosse processada no computador.

A solução seria um backup dos arquivos e a formatação na máquina.

Isso é assim:

A gente salva todos os arquivos do computador em outro computador,

Assim garantimos não perder nada importante,

Nenhuma foto, nenhuma música, nenhum documento,

Nenhuma informação, nenhum dado, nada.

Assim que tudo estiver são e salvo,

Acessamos uma área do computador em que

Reparamos o sistema”.

Os problemas do Windows são corrigidos

Simplesmente porque ele é reiniciado.

Reset, restart.

Tudo apagado, tudo deixado para trás.

O computador recomeça do zero

Como se ele tivesse acabado de sair do fabricante,

Tivesse sido embalado no plástico bolha

E entregue pelos Correios na sua casa.

E assim aconteceu

O renascimento da minha máquina.

Mas dizem que os humanos são melhores que as máquinas,

Que fazemos as coisas melhores que os computadores

E então, como fazemos para reiniciar o nosso sistema?

Onde é o botão de formatação da nossa mente?

Onde apagamos os arquivos?

Onde fazemos o backup?

Quero começar de novo!

Tenho essa chance?

Mas quero optar pelo modo sem backup,

Posso?

Não quero salvar dados, nem arquivos, nem fotos, nem músicas.

Sei lá, considerei até jogar todo esse sistema fora

E comprar um novo, com mais memória e um HD melhor.

Vende na internet? Parcela no cartão? Tem desconto?

Será que algum técnico pode responder essas minhas perguntas?

É isso. Só queria me formatar, mudar mas sem me prender ao passado,

Começar de novo, do zero.

Sem memória, sem passado.

Sem chance de fazer errado, de novo.

Todo dia é dia de recomeçar,

Mas esse recomeço é sem reparo no sistema,

E aí não vale.

Ai... como eu queria ser um Sony Vaio.


Escrito por Lilian Maerrawi às 01h38
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10/06/2010

Corrida (sem) Aventura

 

Tem um esporte que além de nos ensinar sobre diversas coisas,

Nos ensina a nos orientar, a navegar.

É assim: você pega seu mapa,

Veja os pontos obrigatórios de passagem,

Traça a sua rota, a partir disso,

Escolhe seus caminhos.

Depois, você orienta o mapa,

Ou seja, aponta o mapa para o Norte

De acordo com uma bússola,

E vai!

Mas eu precisava aprender essas coisas

Antes de aprender sobre esse esporte,

Muito antes.

Precisava aprender na vida.

Orientar-se é sempre a melhor opção.

Traçar seu caminho,

Escolher sua rota,

Fazer seu percurso,

Andar mais rápido,

Correr,

Chegar na hora certa,

Vencer.

No esporte, você e mais três.

Um quarteto.

Na vida, eu e você.

Uma dupla.

Então, faça-me o favor de me orientar,

Porque seu mapa está desorientado,

Sua bússola está quebrada,

Seu senso de direção está confuso,

E eu estou perdida no meio desse mapa,

No meio deste caminho,

No meio desta floresta.

Para qual lado iremos?

Para onde eu devo ir?

De acordo com você, eu sigo para o Norte,

Para o Estado lá em cima, para perto do centro do mundo.

Para mim, quanto mais ao Sul, melhor.

Não que esse seja o melhor caminho,

E então, nos dividimos a partir de agora

Para caminhos opostos?

O mapa está na sua mão,

Os pontos obrigatórios de passagem estão no seu Race Book.

Eu estou apenas seguindo as instruções do navegador.

Para onde eu vou? Ou vamos?

A minha escolha é sempre estar perto de você

Seja no caminho certo,

Seja no caminho errado,

Seja em caminho algum,

Seja aqui parados.

Mas se for muito difícil para você orientar esse mapa

E nos dizer o que fazemos a partir de agora,

Se continuamos nessa prova

Ou se abandonamos a competição,

Eu posso escolher por nós e te dizer:

Vá seguir o seu Norte,

Vá ver a sua Aurora Boreal,

Enquanto eu sigo para o meu Sul

E vou ver a chuva no meu Cabo Horn.


Escrito por Lilian Maerrawi às 00h12
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03/06/2010

Todas e ninguém

 

Eu já fui todas e já fui ninguém.

Já comi muito até passar mal,

Já passei mal por não comer.

Eu já cai, me machuquei, levantei,

Sangrei, estanquei o sangue, limpei o machucado,

Tirei a casquinha do machucado, fiquei com cicatriz,

Passei pomada para não deixar cicatriz.

Já fiz uma tatuagem, já fiz duas tatuagens,

Já fiz três tatuagens, já fiz seis tatuagens.

Já desisti de fazer tatuagem.

Eu já viajei para lugares inusitados,

Já planejei viagens, já senti saudade de viagens,

Já voltei correndo e antes do tempo de viagens.

Nunca fui para centenas de lugares que adoraria ir.

Eu já senti muito calor em temperatura acima de 49º,

Já usei casacos insuficientes para um frio negativo,

Já admirei as temperaturas amenas do outono.

Eu já fui um espermatozóide, um feto, um neném,

Um bebê, uma criança descabelada,

Uma criança chorona, uma criança diferente,

Uma adolescente, uma santa, uma virgem,

Uma puta, uma amante de alguém, uma noiva.

Nunca fui mãe nem gestante.

Já amei, já fui amada, já traí, já fui traída.

Eu já pensei que ia morrer naquele segundo,

Já me imaginei vivendo bem velhinha.

Já quis ter 5 filhos, já quis ter gêmeos,

Já quis não ter filhos.

Já tive cachorro, gato, peixe, pintinho.

Nunca tive um cavalo preto.

Eu já processei, já quis ser criminosa,

Já quis ser delegada, já mandei bandido para a cadeia.

Eu já quis ser biomédica, médica, psiquiatra, psicologa,

Socialite, engenheira civil, geneticista, pedreira,

Mestre de obras, advogada, promotora,

Atriz, modelo, cantora, celebridade de reality show,

Rainha de algum país pequeno e europeu,

Apresentadora de programa infantil,

Integrante dos Menudos.

Sou morena, já fui ruiva, morena do cabelo claro,

Morena do cabelo escuro, morena do cabelo preto.

Nunca fui loira,

Mas já cogitei a hipótese de ser para ser paquita.

Já chorei pela Xuxa, pelo Senna, pelos Mamonas Assassinas,

Pelo Santos Futebol Clube, pela minha mãe, por mim, por você.

Já chorei de rir, já chorei de raiva, já chorei de agonia,

Já chorei de dor, já chorei porque minha fralda estava suja,

Já chorei de alegria, já chorei de emoção,

Já abri a geladeira para chorar vendo as comidas.

Eu já cai de bêbada, já cai de desequilíbrio,

Já cai do salto, já cai do cavalo.

Eu já me achei a mais linda de todas,

A mais esquisita do mundo,

Já pensei ser a mais magra, a mais chata,

A mais interessante, a mais inteligente.

Eu já quis ser muita gente,

Já quis ser ninguém.

Eu já pensei em me matar,

Ou em me clonar para poder viver o dobro.

Eu já quis sair correndo e pular no seu colo

E te abraçar como nunca,

E já quis sair correndo e dar com o pé no meio do seu peito

Para você perder o ar e morrer.

Eu já fui em enterros, maternidades, floriculturas,

Lojas de roupa, sapatos, supermercado,

Artesanato.

Eu nunca fui a um sex shop.

Eu já planejei um aniversário num motel,

Numa balada, numa casa de festas,

Numa churrascada.

Eu já planejei nunca mais comemorar um aniversário sequer.

Eu já adorei carne mal passada, já adorei carne torrada.

Eu odeio carne hoje em dia.

Nunca comi nenhum bicho a não ser peixe, frango e boi.

Eu já tive celular grande, pequeno, mais ou menos.

Já andei sem celular.

Já preferi o Tone ao Pulse do telefone.

Eu já quis te ligar para te chamar para sair,

Eu já desisti de te ligar e te chamar para sair,

Eu já te liguei e te chamei para sair.

Eu já me odiei por ter saído com você.

Já pensei que te amava,

Já pensei que te odiava,

Já pensei ser só tesão,

Já pensei ser só imaginação.

Não sei o que é até hoje.

Eu já andei de carro, de ônibus, de trem, de metrô,

De avião, de navio, de bicicleta, de skate.

Nunca andei de helicóptero.

Eu já fiz o maternal, a pré-escola,

O ginásio, o colegial, a faculdade,

A pós-graduação.

E nunca aprendi como lidar com algumas coisas da vida.

Eu vivi tão poucos anos, mas já tenho uma bagagem que só um

Boeing transportaria.

E mesmo com todas essas experiências guardadas em minhas malas,

Ainda acho que tenho muito mais a viver,

A aprender.

Imagino que depois de viver mais ¾ de século,

Que ainda estão por vir,

Vou ter de contratar uma frota de Boeings para levar

Todas as minhas bagagens de vida

Para o meu último voo.

E uma das grandes lições que eu já aprendi e já vivi nessa vida

É que nada que eu puser de conteúdo dentro das minhas bagagens

Terá sentido se não for vivido ao seu lado.


Escrito por Lilian Maerrawi às 10h39
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01/06/2010

Quartel General

 

Soldado Passado é o mais disciplinado do batalhão.

Mas para ele, viver só do exército não tem sido suficiente,

E ele resolveu fazer uns bicos na área privada.

Então, Soldado Passado arrumou um trampo

Na vida de Joãzinho, que andava muito esquecido

Do seu passado.

Joãozinho não sabe a sarna que arrumou para se coçar

Quando contratou Soldado Passado para fazer sua segurança particular.

Isso porque Soldado Passado tem conchavo com um monte de

Gente mau intencionada,

Tipo eu.

Enfim, Soldado Passado segue a sombra de Joãozinho

E assim cria uma situação completamente inusitada

Mas muito interessante:

Joãozinho anda com seu passado no presente.

É assim,

Ele acorda, sente a temperatura do dia,

Lê o jornal e as notícias mais novas,

E ao mesmo tempo carrega consigo,

Como se fosse manchete do dia,

Todo seu passado.

São momentos que passaram,

Dias inesquecíveis,

Pessoas que cruzaram seu caminho anos atrás,

Mas que parecem ter cutucado Joãozinho

Naquele dia

Para o despertar.

É a situação mais inexplicável de alguém viver sua vida.

Porque o passado é toda a carga de emoções e razões

Que nos faze ser quem somos hoje,

E um rascunho do que pretendemos fazer amanhã.

Mas se o ontem acompanha Joãozinho tão de perto,

O hoje é hoje, novinho de papel passado,

Ou é só um reflexo mal refletido de ontem?

Joãozinho pode lidar bem com esse seu guarda-costa,

Mas eu, a mais mau intencionada das mulheres do Planeta Terra

Não entende.

Mas talvez Soldado Passado seja a chave para uma série

De perguntas inexplicadas.

Talvez seja Soldado Passado o responsável por nunca deixar que memórias

Se tornem saudosas,

Já que elas sempre acompanham Joãozinho.

Assim sendo, Joãozinho não tem tempo para sentir saudade

E reconstruir relações,

Já que sua relação com passado é bizarro.

Soldado Passado meio que atormenta Joãozinho sem ele saber,

Cria nele essa dependência com o tempo que já passou.

Mas nosso conchavo acabou.

Escolhi mudar de time.

Como a mais mau intencionada de todas as mulheres do Planeta Terra

Eu quero que Soldado Passado morra na sua próxima batalha.


Escrito por Lilian Maerrawi às 04h08
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Bye Bye Brasil

 

Mariazinha cansou de sonhar.

Demitiu Capitão-Comandante-Tenente-General Americano

E seus soldados paramentados até os dentes.

E por justa causa!

Eles censuraram Mariazinha por anos a fio.

Não deixaram a pobre coitada sonhar feliz.

Eram sempre sonhos determinados por eles

Em um briefing demorado, feito todas as tardes.

Mariazinha decidiu que não dormir era a solução

Mas nem por isso deixaria de sonhar.

Resolveu sonhar acordada.

E mesmo acordada, sonhou com você de novo.

Cara a cara, frente a frente

Sinceridade na ponta dos dentes caninos

Prontas para serem ditas e esclarecidas

Em pequenas mordidas ardidas na pele

E como a realidade sonhada acordada mexe

Como nosso fluxo sanguíneo,

Como nossos batimentos,

Como nossos sentimentos.

Quer dizer, com os sentimentos de Mariazinha.

Mariazinha suou frio no sonho acordada,

Enquanto tinha aquecido seu coração

Quando sonhou dormindo na semana passada.

Mariazinha não conseguiu piscar,

Não conseguiu respirar

Frente a frente com você.

Mariazinha se beliscou, bateu com as mãos na cabeça,

Mariazinha ligou e religou o sistema,

Para ter certeza não ser um tilt no servidor.

E não era.

Era a realidade mais surreal de sua vida.

Um dia ela sonhou sem querer,

E hoje ela teve opção,

E optou por te ver, muito.

Ver, rever, ver de novo.

Quase sentir sua pele,

Quase sentir seu rosto colado,

Quase sentir seu cheiro dormindo.

Quase sentir seu sabor, seu gosto.

Quase ouvir sua voz ao pé do ouvido,

Quase sentir seu abraço.

Quase sentir seu calor.

Quase sentir sua boca.

Quase sentir suas verdades.

Quase sentir seu peito colado.

Quase sentir sua mão em seu cabelo.

Quase sentir aquela promessa de beijo no pescoço.

Quase sentir a alma saindo do corpo.

Quase sentir as horas estagnadas no relógio.

E tudo o que Mariazinha pode sentir realmente

Foi seu corpo esquentando,

O tempo parando,

A vida não andando mais,

A vida não fazendo mais quase sentido algum,

O corpo querendo,

A alma implorando,

O coração palpitando,

O peito queimando,

Ardendo em fogo.

Era tanta felicidade que dava até tristeza

E vontade de chorar.

Mariazinha ficou encantada,

Inebriada,

Hipnotizada.

Um dos soldados de Capitão-Comandante-Tenente-General Americano

Voltou à casa de Mariazinha para terminar de retirar suas coisas

E encontrou a moça naquela situação,

Como um conselho, disse:

Deixa chover, Mariazinha.

Não abra seu guarda-chuva.

Deixa a água cair, te molhar

E você sentir a temperatura dela.

Só assim você vai saber se esse vírus

Vai aproveitar sua imunidade baixa

E se instalar em seus pulmões”.

Mariazinha deixou aquela água cair

Sobre e sob seus olhos,

E agora sem resposta alguma

E com vontade de voar pelo mundo.

Mariazinha entrou em uma guerra,

E não sabe se está armada o suficiente

Para tentar a vitória.

Está tudo voltando à vida de Mariazinha,

E ela reconsidera recontratar

Capitão-Comandante-Tenente-General Americano.

É mais seguro para seus sentimentos.


Escrito por Lilian Maerrawi às 04h08
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27/05/2010

Antena Paulista

Um exército paramentado até os dentes protegiam

Os sonhos de Mariazinha.

Eram facas, pedras, canivetes, armas pequenas,

Metralhadoras, fuzis,

Tanques de guerra, mísseis, granadas, bombas, homens-bomba,

Tudo para proteger Mariazinha de sonhos agitados,

Que comprometessem seu descanso.

Mas após cerca dois anos de sucessos nas batalha desta guerra,

Capitão-Comandante-Tenente-General Americano,

Chefe do exército, resolveu tirar uma noite de folga,

Afinal só o risco de seus homens aparecerem

Já era suficiente para os sonhos agitados passarem

Bem longe da cama de Mariazinha.

E naquela noite, Mariazinha sonhou.

Em um dos seus dias mais cansados,

Sonhou agitado e acabou com sua estabilidade.

De repente, uma vitalidade incrível.

Em seu sonho, Mariazinha estava com uma vivacidade

Que há muito não se via.

Andando feliz, aparentemente falando sozinha,

Mariazinha sentiu suas mão dadas às de alguém.

Já sabia quem era, afinal há um bom tempo havia

Encontrado uma pessoa.

Mas não era quem ela pensava. Era você!

Como assim você aqui?”, questionou ela.

Fica comigo?”, respondeu você.

Mas eu já estou aqui com você”, retrucou ela.

Não é ficar hoje. Esteja comigo?”, fez-se a questão.

Agora? Agora você aparece e me pergunta isso?”

Mariazinha ficou sem entender nada.

Mesmo com a não-resposta, os dois seguiram radiantes.

Dentre sorrisos, conversas, beijos,

Mais uma pessoa estava ao lado deles,

Mas era mais um grande amigo no meio dessa história.

Larga ele e fica só comigo”, você questionou de novo.

E a não-resposta foi a resposta, de novo.

Mariazinha não entendia como aquilo estava acontecendo,

Se o Capitão-Comandante-Tenente-General Americano

Sempre a protegia. Onde estaria ele?

Em um bar, bêbado, jogando sinuca,

Capitão-Comandante-Tenente-General Americano

Não estava nem um pouco preocupado com o

Sonho de Mariazinha.

Ela acordou ainda sonhando e se questionou

O que é isso? Estou sonhando?

Isso tudo tão real que sinto sua pele!”

E ela resolveu abrir os olhos, e encontrou seu quarto escuro

Onde ela dormia sozinha.

Vendo que os soldados estavam longe,

Resolveu ser dona de suas razões,

Deitou de novo, dormiu mais uma vez e

Determinou continuar o mesmo sonho,

Como quem pausa um filme na TV.

E o sonho continuou, e você continuou perguntando

Se Mariazinha largaria tudo para estar sempre com você.

Ela resolveu não te responder,

Assim como nunca teve resposta alguma.

Vocês seguiram radiantes, de mãos dadas,

Olhando o céu e o sol incandescente que não ofuscava seus olhos.

E por horas, Mariazinha sonhou com você.

Simples assim. Vocês conversando, rindo muito de qualquer coisa,

Planejando quaisquer outras bobagens.

Tudo sem sair do lugar e sempre de mãos dadas.

O despertador de Mariazinha tocou às 9h,

Mas sem Capitão-Comandante-Tenente-General Americano presente

Para bombardear seus sonhos, ela só fez desligar o despertador e seguir sonhando.

E era tão surreal para ela que a realidade se misturava com o sonho, com você.

Americano e seus soldados bateram na porta dela às 9h30.

O discurso de desculpas já estava pronto,

Mas Capitão-Comandante-Tenente-General Americano nem precisou dizer uma palavra.

Mariazinha disse que teve um sono tranquilíssimo,

Como nunca houve em sua vida.

Americano e seus soldados armados até os dentes

Ficaram aliviados com a notícia.

Há tempos Mariazinha não se permitia sentir

Qualquer coisa que viesse à tona,

Há tempos Mariazinha não se permitia pensar em você.

Depois de passar o dia pensando no sonho,

Sentindo o céu azul e o sol incandescente,

Mariazinha comprou um bom vinho, foi para seu quarto,

Deu folga para Capitão-Comandante-Tenente-General Americano e seus soldados,

E esperou por você na noite seguinte...


Escrito por Lilian Maerrawi às 00h03
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17/04/2010

Fora de Órbita

 

Na última página de um caderno do Estadão de hoje

Li uma notícia que para mim soa como antiga

Obama quer mandar homens para Marte”.

Ah, Obama, fala sério!

Você quer agora mandar os homens para Marte?

Eu quero isso há anos! Quero meus royalties!

Na sequência, a notícia dizia:

Os planos do presidente dos EUA são para 2030”.

Meu filho, você faz um 'planão' desse para daqui 20 anos?

Vamos mandar os homens para Marte amanhã!

Fretamos um ônibus – ou muitos ônibus –,

E vamos até a NASA. Despachamos os bofes,

E tchau e benção!

Na continuação, a notícia dizia:

... Mas algumas pessoas se posicionaram contra os planos de Obama, em mandar os homens para Marte, e assim, cancelar o plano feito por George W. Bush para mandar, novamente, os homens para a Lua”.

Nessa eu to contigo, Obamão.

Nada de Lua, nada de território conhecido, conforto,

Divertimento. Nada de Lua.

O negócio é mandar esses caras pra Marte mesmo.

E faz o seguinte, Obamão,

Fica com os meus contatos e me liga que te ajudo nesse trampo.

Sento contigo e bolamos algo ainda melhor e talvez até mais fácil.

Vamos estudar a captação de patrocínio para mandar os bofes pra Netuno.

É o planeta mais longe do sol dentro do sistema solar,

E aí, topas?

Mas vamos logo com isso e veja se não me irrita você também,

Porque, Obamão, se eu me enfezar contigo também

Te coloco nessa barca!

*Baseado em fatos reais.


Escrito por Lilian Maerrawi às 01h20
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15/04/2010

Vamos Pontuar

 

Com você é tudo com ponto final.

Você fala e ponto final.

Reinicia a frase e ponto final.

Começa de novo, conclui rapidamente

E ponto final.

Comigo, sempre reticências.

Eu falo um pouco e reticências...

Continuo... e reticências...

Retomo o pensamento e reticências...

Mas é assim que é bom, não é?!

Imagina se eu também colocasse ponto final?

Seria sempre um jogo de afirmações e mais afirmações,

Nunca haveria a possibilidade de continuar,

De dar asas às falas, de seguir de outra maneira

Sem precisar concluir.

Mas as minhas reticências sempre vencem...

Eu sempre consigo fazer você relutar ao seu ponto final

E mudar o sentido de tudo antes que tudo esteja encerrado

E ponto final.

Sempre te dou a chance de parar e pensar,

Já que aqui o jogo de palavras é como

A Copa do Mundo

E vale taça de melhor do planeta para quem vencer.

Você já entendeu as regras do jogo,

E parece gostar de disputar esse torneio,

Assim, quem sabe, esqueçamos os pontos finais

E...


Escrito por Lilian Maerrawi às 23h18
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220V

 

È aquele olhar que te deixa estático.

Coisa de sentimento.

O olhar olha e te para.

Incrível.

Ainda mais se acompanhado de um sorriso,

Um sorriso no rosto, e outro no olhar.

Tipo aquele que encanta,

Que fala com o coração,

Com a tua alma.

E todos andam por aí olhando esses olhares,

Buscando essas emoções,

De se sentir congelado com um olho no olho.

Pensa assim: O olhar te olha,

O corpo congela, o sangue continua quente,

Mas corre muito mais rápido pelo corpo,

E você só sente uma correria danada nas veias,

E o resto parado, imóvel, estático, paradinho da silva.

É como um choque que recebes.

Um olhar que sobrepõe qualquer óculos que se imponha

Na sua frente.

E não tem preconceito, viu!?

Você pode ser quem for, esteja onde estiver,

Em qualquer situação.

No mundo, em algum lugar dele, tem um olhar que te congela.

A dica? Olhe muito os olhares.

Na rua, no trabalho, em casa, entre os amigos, na correria.

Mas há ressalvas quanto a quantidade de olhares chocantes que uma pessoa

Pode ter na vida.

Não se sabe ao certo quantos podem ser,

Se muitos, se poucos.

Vai de cada organismo,

Mas, cuidado.

Um olhar que te congela é altamente benéfico para o coração,

E tudo pode mudar em um olhar.

Se resistires a ele, uma pena.

Mas saiba que nunca mais vai esquecê-lo,

Ao menos.


Escrito por Lilian Maerrawi às 15h37
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Roupa Nova

 

A vontade que dá é de entrar em você,

Me vestir de você,

Me transvertir de você.

Isso tudo é vontade de ter você em mim.

O processo é dolorido,

Já que entrar um no corpo do outro não é das tarefas

A mais fácil,

Mas é possível.

É uma vontade que inspira,

E me faz transpirar.

Mas te usar de carapuça não quer dizer

Que vou ser você.

Apenas vou estar de você.

E o bacana é que nossos ingredientes vão se misturar.

Deixarão de ser só seus, ou só meus.

Serão os nossos ingredientes.

E há música para ser enredo de tudo isso.

Há força, há vontade, há arrepio.

E se alguém quiser nos cortar ao meio verão

Que há meio eu meio você de cada lado.

Eu prefiro assim,

Me vestir de você.


Escrito por Lilian Maerrawi às 15h35
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18/02/2010

Marinheiro

 No meio de tantos gritos e agressões,

Um pensamento de paz:

Como eu amo esta cidade...”

As muretas da praia em estilo naval,

O museu, os lugares para comer.

E no fim deste visual, as luzes da praia perfiladas.

Aquele sem-fim de luzinhas, contornando.

A praia em meio-círculo, e a cabeça girando.

O cheiro que alguns repelem,

A maresia.

Os ônibus em tons de azul e verde me acalmam,

Pois têm o nome da cidade estampado bem grande,

Em branco.

A cor do sentimento que tenho aqui.

E tudo me acalma, saber que estou aqui me acalma.

Sentir-me aqui me dá plenitude.

Ah, como é bom voltar!

Mesmo que quem tenha me trazido de volta

Tenha sido um furacão.


Escrito por Lilian Maerrawi às 14h39
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16/12/2009

Era uma vez...

 

Tive que ir lá, depois de tanto tempo.

Foram anos só de lembranças e tive que recordar os momentos

Na pele.

Antes, eu guiava todos.

Agora, eu me guiava.

Foi engraçado entrar na avenida, ver aquela imensidão de placas,

Lembrar de cada calçada, de cada pizzaria.

Me arrepiei de voltar aos prédios, de enxergar o passado,

De todos saindo pelas escadarias, indo ao térreo.

Como passa o tempo!

Lembrei das comidas que haviam para vender,

Do saquinho com vários pães de queijo,

Das comidas que eu fazia,

Do cheiro da cozinha.

Engraçado...

A grande sensação foi lembrar o que eu pensava,

Quais eram os dramas, as alegrias, as esperanças,

As dúvidas.

As aflições não foram em vão.

Aqui estamos!

Doeu forte o coração, aperto ardente.

Ai, que saudade!

Andei por aquelas ladeiras todas,

As subidas, as descidas,

E conclui que hoje elas são menos íngremes.

Não deu nem para cansar.

Engraçado...

Os carros continuam lá, até os destruídos, sem rodas,

Nem faróis, todos batidos, em frente a delegacia.

Me deu saudade do bolo de fubá, e o fiz assim que cheguei.

E ele pareceu bem mais fácil, sujou bem menos louça,

Assou mais rápido.

Engraçado...

Não queria mais ir embora,

Mas parece que vou ter de voltar lá.

E sabe, nem me incomodei com isso.

A distância não se tornou mais um problema.

Engraçado...

Tudo continua igual. As casas, as lojas,

As portarias, a comida, os ambulantes,

A banca, o cheiro da rua, o guardador de carro.

Tudo intacto.

A única coisa que mudou dentro de tudo isso

Foi eu.


Escrito por Lilian El Maerrawi às 19h59
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14/04/2009

Pantera

Tudo azul, tudo lindo.

Frase típica de quem quer dizer que está tudo bem.

Mas eu sou uma das poucas pessoas,

Muito privilegiadas, diga-se de passagem,

Que pode dizer que está “tudo rosa, tudo lindo”.

Por poucos minutos pude ver o mundo cor-de-rosa,

Literalmente.

Era tudo rosa.

Não usei drogas, não alucinei,

Mas o mundo era rosa, ao menos o pequeno mundo

Em que me encontrava.

Havia um homem negro vestido todo de branco.

A cor de sua pele não se alterou -

A lei do dominante e recessivo -,

Mas sua roupa era cor-de-rosa,

Sua unha era cor-de-rosa,

A parede atrás dele, o armário,

A tela do computador, a janela.

Tudo cor-de-rosa.

E eu que relutei tanto para entrar naquela sala.

O que é incurável me permitiu ver o mundo

De forma tão peculiar.

O preto-cor-de-rosa me olhava e questionava se eu estava bem,

Porque eu virava o pescoço para todos os cantos

Tentando ver o maior número de coisas cor-de-rosa.

Estava tudo bem, Sr Preto-Cor-de-Rosa,

Está tudo rosa!

Pena que durou pouco.

Ele já havia me avisado que seriam no máximo dez minutos.

Poucos podem contar como é isso.

Incrivelmente o mundo da Penélope.

Saindo de lá, sem alucinações,

Sem drogas e sem qualquer efeito,

O mundo cinza me esperava.

Como é ruim voltar assim à realidade. 


Escrito por Lilian El Maerrawi às 19h57
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