:: A VIDA NA TELA ::


Mural

Sempre que eu estou lá é assim quando fecho a porta.

São várias. Comigo, com amigos, família,

Pessoas que amo muito, pessoas que amo menos,

Pessoas que sinto saudades.

Tem as com foco, as sem foco.

As coloridas, as pretas e brancas.

As pretas e brancas cheias de cores.

As coloridas sem alma, pretas e brancas.

Com brilho, foscas.

As contra-luz.

Sorrindo, séria, abraçando, beijando,

Pulando, sentindo o vento.

De locais, lugares que estive,

Lugar que sonho estar.

Cidades que amei, cidades que visitei,

Cidades que sonhei, cidades que vivi.

Estados com praia, Estados sem praia.

Capitais, interiores, litorais.

Dunas, mato, rios, mares, lagos.

Lugares de gente rica, lugares de gente pobre,

Mas sempre lugares de gente de muito coração.

Amigas para sempre,

Amigos de uma semana para a vida inteira,

Amores, desamores. É tanta gente.

Tem as de 10, 13 e 18 centímetros.

Tem as que eu escolhi estar,

Tem as que me obrigaram a posar.

Tem as que estou sozinha imaginando a companhia.

Mas é uma vida mista de emoções retratada ali.

Tem eu, tem tu, tem ele,

Tem nós, tem vós, tem eles.

Tem tudo. Tem todos.

Mas só eu penso compreender cada uma delas.

E é assim sempre que fecho a porta

Do meu mundo.

Meu mundo retratado.



Escrito por Lilian El Maerrawi às 09h00
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Fulaninho de tal...

Sabe, estava pensando...Se fosse macho, se chamaria Olavo.

Única e exclusivamente que foi lá que pude

Olhar de novo nos seus olhos,

No fundo dos seus olhos fundos.  

Depois de tantos e tantos e tantos anos,

Foi lá. E essa seria a homenagem.

Fazer uma vida crescer sob a regência do nome

Do local do reencontro.

Não que eu goste ou admire o nome.

É só para eternizar o momento numa vida.

Mas, sabe... não é macho e não existe, na verdade.

E mesmo se existisse, não seria seu.

São apenas divagações de uma vida calma

Que teme ser abreviada.

 



Escrito por Lilian El Maerrawi às 16h55
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Grata, volte sempre

E são inevitáveis tais perguntas.

E se tivéssemos dado certo?

E se tudo tivesse saído como o meu plano?

E se os encontros e telefonemas resultassem em algo maior?

E se tudo o que sentíamos tivesse virado amor?

E se todo aquele calor fosse um verão para a vida inteira?

E se todos aqueles abraços virassem algo real?

E se a nossa vida fosse hoje uma só?

E se todos os cinemas, jantares e saídas fossem com você?

E se seu número fosse o mais discado pelo meu celular?

E se a sua rua fosse a mais visitada por mim?

E se seu porteiro já me deixasse entrar sem interfornar?

E se eu já tivesse escolhido um lado da nossa cama?

E se a minha toalha fosse estendida ao lado da sua?

E se tivéssemos dado certo?

E se tudo isso tivesse acontecido eu só teria uma resposta

Eu não seria tão feliz como sou hoje, sem tudo isso.

Obrigada por não ter resposta para inevitáveis perguntas.

Obrigada por tudo que poderíamos ter sido e não fomos.



Escrito por Lilian El Maerrawi às 16h49
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